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Comunicação Segura para a Soberania Digital

Visita à exposição temporária pública da ABIN na ENAP, com equipamentos históricos de criptografia, segurança das comunicações e soberania digital.

Período: 29 de junho a 3 de julho de 2026

Primeira mostra externa do Museu da Inteligência

A Agência Brasileira de Inteligência-ABIN realizou, na Escola Nacional de Administração Pública-ENAP, a exposição temporária pública Comunicação Segura para a Soberania Digital. Segundo divulgação da própria ABIN, o evento marcou a primeira mostra externa do Museu da Inteligência.

A exposição teve como objetivo apresentar a evolução histórica das pesquisas e projetos tecnológicos no campo da segurança das comunicações, culminando com o msg gov, sistema seguro de mensageria desenvolvido pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento para a Segurança das Comunicações, o CEPESC.

A visita permitiu observar equipamentos criptográficos utilizados em diferentes períodos da história brasileira, mostrando como a proteção das comunicações governamentais sempre esteve ligada à soberania, à segurança institucional e à proteção de informações sensíveis.

Autor durante a visita à exposição Comunicação Segura para a Soberania Digital

Comunicação segura e governo digital

A exposição também destacou que a população brasileira é altamente conectada e que as instituições estatais se encontram em um patamar elevado de digitalização dos serviços públicos. Nesse contexto, aplicativos e serviços digitais tornam mais eficiente o trabalho dos agentes públicos e facilitam a interação dos cidadãos com o governo.

Porém, pelas comunicações governamentais transitam diariamente dados sensíveis para o país. Explorando vulnerabilidades, entidades estrangeiras podem monitorar fluxos informacionais em grande escala e analisá-los com uso de inteligência artificial, obtendo informações relevantes sobre decisões estratégicas.

Esse cenário reforça a importância de soluções soberanas de comunicação segura, especialmente em um contexto de governo digital, no qual a proteção da informação deixa de ser apenas um tema técnico e passa a ser também uma questão de soberania nacional.

Acervo histórico

Equipamentos criptográficos expostos

A seguir estão alguns dos equipamentos apresentados na exposição, acompanhados das informações disponibilizadas no material do evento e de observações sobre sua importância histórica e técnica.

Equipamento criptográfico T-450 da marca suíça Hagelin Cryptos

T-450 — Criptografia estrangeira para Telex

O T-450 é um equipamento estrangeiro da marca suíça Hagelin Cryptos, adquirido pelo governo brasileiro para criptografia de dados transmitidos por Telex.

Esse equipamento chama atenção por representar uma fase em que governos dependiam de soluções criptográficas estrangeiras para proteger comunicações sensíveis.

Durante a exposição, foi citado um exemplo bastante ilustrativo: se uma comunicação diplomática informasse o preço mínimo que o Brasil aceitaria em uma negociação internacional, quem tivesse acesso antecipado a essa mensagem passaria a negociar com enorme vantagem.

Equipamento criptográfico AS-1T

AS-1T — Primeiro equipamento criptográfico para cifração e decifração

O AS-1T foi um equipamento criptográfico de segurança de nível estratégico, utilizado para cifração e decifração on-line de textos enviados por meio de teletipo eletromecânico.

Desenvolvido e produzido pelo Projeto Prólogo, em 1976, o AS-1T representa um marco importante no desenvolvimento nacional de equipamentos voltados à proteção das comunicações governamentais.

Criptógrafo para Telex AS-2T e adaptador AT-1

AS-2T e AT-1 — Criptógrafo para Telex e adaptador

O AS-2T foi um equipamento utilizado para cifração on-line de textos para teletipo eletromecânico, com alta segurança criptográfica.

No período de 1978 a 1979, o Projeto Prólogo produziu 449 unidades destinadas à Presidência da República, ao Serviço Nacional de Informações e a ministérios como Relações Exteriores e Comércio, entre outros.

O AT-1 era um adaptador do criptógrafo para Telex AS-2T, usado com teletipos eletrônicos. Foi produzido a partir de 1982.

Equipamento de sigilo telefônico CKS-01

CKS-01 — Sigilo telefônico por inversão de frequência

O CKS-01 é um equipamento de sigilo telefônico com segurança criptográfica de nível casual. Ele utiliza inversão da frequência da banda de comunicação telefônica para equipamentos com várias linhas KS.

Produzido a partir de 1991, o equipamento ilustra uma abordagem mais simples de proteção de voz, voltada a cenários em que o objetivo era dificultar a escuta casual ou não especializada.

Misturador temporal de voz VOX 832T

VOX 832T — Misturador temporal de voz

O VOX 832T é um equipamento utilizado em telefonia pública, com segurança criptográfica média ou tática e operação half-duplex.

Foram produzidas 80 unidades para os ministérios da Marinha e Aeronáutica, entre 1981 e 1989. Diferentemente de sistemas voltados a texto ou dados digitais, esse tipo de equipamento tinha como foco a proteção da comunicação por voz.

Protótipo do Telefone Seguro Governamental TSG-92

TSG-92 — Telefone Seguro Governamental

O TSG-92 foi um protótipo de telefone seguro governamental desenvolvido pelo CEPESC em conjunto com o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações, o CPqD.

O projeto foi desenvolvido entre 1995 e 1998 e representa uma etapa importante na busca por soluções nacionais para comunicação segura de voz em ambientes governamentais.

Terminal Seguro de Voz NML

TSG-NML — Terminal seguro de voz

O Terminal Seguro de Voz NML é um equipamento para comunicação segura de voz que funciona entre o terminal e o monofone.

O sinal é digitalizado, codificado, cifrado e enviado ao equipamento remoto. Na outra ponta, antes de ser entregue à cápsula de ouvido, o TSG-NML realiza o processo inverso.

Criptografia, soberania e independência tecnológica

A exposição deixou evidente que a criptografia não é apenas um tema matemático ou computacional. Ela está diretamente ligada à proteção de decisões de Estado, negociações internacionais, comunicações diplomáticas, operações governamentais e informações econômicas sensíveis.

Ao observar equipamentos de diferentes gerações, fica claro que a segurança das comunicações depende tanto da qualidade técnica dos algoritmos e dispositivos quanto da confiança na cadeia de desenvolvimento, fabricação e operação dessas soluções.

Para o Baixa Impedância, esse tema se conecta diretamente ao estudo da criptografia por dentro: entender como os sistemas funcionam é essencial para compreender seus limites, seus riscos e sua importância na proteção da soberania digital.

Referências

Esta reportagem foi elaborada a partir da visita realizada à exposição Comunicação Segura para a Soberania Digital, promovida pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) em parceria com a Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), complementada por informações disponibilizadas publicamente pela própria ABIN.

As descrições dos equipamentos apresentadas nesta página foram baseadas nos textos do material informativo distribuído durante a exposição, recebendo apenas pequenas adaptações de redação para tornar a leitura mais fluida, preservando o conteúdo técnico original.

Todas as fotografias desta reportagem foram registradas pelo autor durante a visita ao evento.

Fontes oficiais